Muita gente pensa que conhecer outros lugares é algo caro e um luxo. Eu penso bem diferente. Caro é viver como uma árvore. O negócio não é ser rico, é ser paciente e cuidadoso na hora de planejar suas viagens. Dedicar algumas(ou muitas horas) planejando seu roteiro e as especificidades do seu destino podem te fazer economizar bastante. Foi assim na minha primeira viagem ao Rio de Janeiro. Vou contar um pouco da experiência pra vocês.
Os preparativos
Já fazia algum tempo que eu estava namorando o Rio, mas confesso que não era algo muito importante pra mim, até que apareceu um desses feirões de passagens e meu esposo decidiu comprar as nossas e aproveitar a oportunidade. Não era pra menos: pagamos R$170,00 cada um, ida e volta, saindo de Recife. E nada de voos de madrugada! Foi pela manhã, voo direto. A TAM deu um super presente pra nós! Compramos as passagens em maio, pra voar em agosto. Deu tempo de planejar, juntar um dinheirinho. Bom, na verdade só conseguimos planejar, a história do dinheirinho foi ficando pra depois, pra depois, pra deeeeeepois e quando o dia chegou estávamos com apenas R$500, para os dois.
A hospedagem teve que ser pensada para essa situação financeira: ser bem localizada, perto de parada de ônibus, metrô, pontos turísticos. Os bairros que mais recomendo são Copacabana (onde fiquei na segunda vez) e Flamengo. O bairro do Flamengo, que foi nossa escolha, é muito charmoso. Sem falar nas opções de lanchonetes, restaurantes e metrô e ônibus pertinho do hotel escolhido. Procuramos hospedagens pela Decolar.com e nos apaixonamos por um hotel bem retrô, o Augusto`s Paysandu. O hotel fica pertinho da praia e do centro comercial do bairro, foi construído no estilo Art Nouveau, já abrigou a seleção uruguaia e possuía boas recomendações. Eu achei o preço salgadinho para as outras opções do bairro, R$600,00 três diárias, mas eles parcelavam. Minha opinião: o hotel é bom, mas existem várias opções tão boas e baratas e que também parcelam.
A hora de preparar o roteiro foi um aperreio, pois eu queria conhecer o máximo de lugares possíveis e não dá. Aprendi uma das principais lições de um viajante: viajar com calma é a melhor opção, já basta o que corremos todos os outros dias. Pensando assim, procurei dar prioridade aos pontos de interesses mais próximos uns dos outros, evitando perder tempo com longos percursos. Decidimos conhecer apenas a região central e a zona sul. Só aí já tínhamos muitos destinos.
E chegou o dia!
1º Dia
Chegamos no Rio por volta das 13h. Eu sabia que o Galeão era muito longe da Zona Sul, o táxi ficaria uma fortuna e nas minhas pesquisas descobri que um ônibus executivo fazia o translado até o Aeroporto Santos Dumont e de lá pegaríamos um táxi. Fizemos assim. Pagamos R$ 12 cada um. O percurso do ônibus nos fez refletir sobre uma coisa: o Rio é muito mais do que os cartões postais. O ônibus passou por regiões muito abandonadas da cidade, nos deixou até amedrontados. Depois foi chegando na parte mais rica da cidade e o cenário vai mudando, parecia uma maquiagem pra turista ver. No Santos Dumont, pegamos um táxi para o Flamengo, pagando cerca de R$15,00.Nisso já perdemos umas duas horas, pois tinha muito trânsito. Deixamos as coisas no hotel e saímos para começar a explorar a cidade. Primeiro fomos conferir a orla do Flamengo e depois de algumas fotos, seguimos com o passeio pelo bairro. Jantamos por alí pertinho, na Garota do Flamengo, uma ótima pizzaria com preços honestos.
2º Dia
Café da manhã reforçado para economizar nos lanches. Foi o dia da caminhada. Longa caminhada. Saímos do hotel e fomos para o Parque do Flamengo, observando a Baía de Guanabara, O morro da Urca. Começamos a caminhar e logo estávamos em Botafogo. Optamos por não ir ao Pão de Açúcar, pois achamos que a experiência no Corcovado seria melhor e queríamos economizar.| No Parque do Flamengo |
Em Botafogo pegamos um ônibus para Copacabana e descemos bem atrás do Copacabana Palace.
Caminhamos pela orla e consultamos um guarda sobre a distância para chegar na Lagoa Rodrigo de Freitas . Como o guarda informou que dava pra ir a pé, fomos caminhando, caminhando, caminhando... Gente, foi muita caminhada, não recomendo. Melhor pegar outro ônibus. Lá na Lagoa tinha muita gente, muitas atividades esportivas, o lugar muito bonito. Vale a pena conhecer. Fizemos um lanche, ficamos observando as pessoas, a lagoa, o Rio. Era um sábado e nos pareceu que os cariocas gostam de aproveitar os fins de semana para atividades ao ar livre.
Quando já nos sentíamos revigorados, voltamos aos nossos planos. De lá retomamos nossa caminhada, dando a volta na Lagoa até o Jardim Botânico. Taí outro lugar que superou minhas expectativas. Fiquei apaixonada pelo lugar. Paguei uma entrada de R$7,00 e tive umas das melhores experiências da viagem lá dentro. Aviso logo: é muito extenso, reserve metade do dia. O tempo inteiro você se depara com cascatas, árvores exóticas e nativas, e animais silvestres. Um passeio delicioso. Cenários deslumbrantes lá dentro e uma lojinha de souvenir na saída.
Voltamos ao hotel, mas logo decidimos sair e ir conhecer o Centro.
Era um sábado à tarde, estava um pouco nublado e a região já começava a ficar vazia, então decidimos ir logo ao bairro da Lapa. Foi uma caminhada curta, em 5 minutos estávamos lá.
O local tinha policiamento, como na maioria dos pontos turísticos da cidade. Nos sentimos seguros para tirar fotos e contemplar o local, famoso pelos arcos. De lá seguimos para a Escadaria Selarón que estava lotada de turistas, foi difícil tirar uma foto boa. O lugar é lindo e nos faz pensar no trabalhão que deu ao artista.
Fomos jantar no McDonald´s que tinha ali perto e depois fizemos o mesmo percurso da ida, agora de volta ao hotel.
3ºDia
No terceiro dia tomamos café e fomos até o Largo do Machado, caminhada de 10 minutos. De lá pegamos um ônibus até o Cosme Velho. O ônibus nos deixou na porta do Trem do Corcovado. O ingresso custou R$50,00 por pessoa. Tinha uma fila pra chegar no trem e fomos logo alertados que a visibilidade não estava boa e um monitor logo acima da bilheteria mostrava imagens lá de cima. Achei muito legal, pois o turista decide se quer arriscar ou não. Nós queríamos.
A subida do morro, em meio à Floresta da Tijuca, já era um espetáculo. Vez ou outra nos deparávamos com a paisagem lá de baixo. Eu fui ficando ainda mais ansiosa. Quando o trem para lá em cima, você escolhe entre escadas ou elevador, lembrando que para o elevador tem mais fila. A ansiedade era tanta que fomos de escada.
Lá em cima estava frio e as nuvens tomavam conta.
Quando terminamos a subida, sentimos uma baita emoção. Mesmo entre nuvens, era possível ver a cidade, ver a vista de cartão postal. Acontece que teríamos aproveitado mais se a visibilidade estivesse boa. Aconselho você a ficar de olho no tempo e só subir ao ter certeza do bom tempo. Ficamos um tempão contemplando. Até deu tempo do meu marido assistir uma missa, pois tem uma capelinha aos pés do Cristo.
Na volta almoçamos em um restaurante pertinho da entrada do Corcovado. Também tinha feito um lanche lá em cima, mas achei caríssimo, não recomendo. Assim como também não recomendo comprar lembrancinhas na lojinha de lá, nem nas do entorno. Tudo muito caro, na verdade o dobro do que pagamos em outra loja do centro.
Depois do almoço, fomos até a Praia de Copacabana, tiramos fotos com a estátua de Drummond, caminhamos até o Arpoador e ficamos um bom tempo sentados por lá. Como eu disse antes, estava nublado, não daria pra ver o sol se pôr e voltamos para o hotel um pouco antes do previsto, o que acabou sendo muito bom, pois já deixamos a maioria das coisas arrumadas para a volta pra casa.
Jantamos no restaurante do hotel. Pedimos um prato individual, muito bem servido, dava pra três. Pagamos R$37,00 com bebida.
Se você está se perguntando em qual dia eu fui curtir as praias, vou te contar uma coisa muito importante: eu estava me recuperando de uma pneumonia. Dias antes da viagem eu adoeci, deu trabalho ficar boa e eu não queria arriscar. O tempo realmente estava bem fechado no Rio, a água do mar gelaaaada. Foi por esse motivo que você também não encontrou programação para as noites ;)
4º Dia
Tomamos café cedo e pegamos um metrô em direção ao Centro do Rio. Fomos na Confeitaria Colombo. Que delícia!! Tudo que eu tive a oportunidade de comer aqui foi gostoso. A decoração do lugar tem um glamour! Estava me sentindo uma senhorinha daquelas novelas de época da Rede Globo, andando pela Rua do Ouvidor, entrando na Colombo.Como estávamos com pressa, pedimos pra levar. Fomos andar no SAARA, que não tem nada a ver com o deserto, significa Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega (ainda bem que abreviaram). Comprar as lembrancinhas da viagem aqui foi muito em conta. Você encontra de tudo. Recomendo.
Voltamos para o hotel, pedimos um táxi, pegamos nossas coisas, que já estavam arrumadas, fomos até o Santos Dumont e de lá pegamos aquele mesmo ônibus executivo. No caminho fui comendo as coisas da Colombo e morrendo de raiva por não ter comprado mais.
Estava um super trânsito, fomos fazendo o chec-in no ônibus e quando chegamos no Galeão só faltava 10 minutos para o avião decolar. Nós atravessamos o saguão correndo. Quando chegamos no balcão da TAM, eles foram logo perguntando se éramos do voo do Recife, estavam nos esperando. Só colocaram lacre nas mochilas e nos mandaram pro avião. Foi uma loucura e nunca nos esqueceremos.
Bom, a viagem foi ótima e ainda voltei pra casa com R$100,00. Só usei o cartão de crédito para alimentação em restaurantes, o que deu menos de R$200,00 . No total:
R$600 hospedagem ( parcelamos)
R$340,00 passagens ( parcelamos)
R$400,00 ( dinheiro)lanches, lembrancinhas, locomoção, entradas
R$200,00(cartão) Alimentação= R$1.540,0= R$770,00 por pessoa.
E olha que se tivéssemos escolhido uma hospedagem mais baratinha, daria pra termos economizado mais.
Eu voltei ao Rio um ano depois, com a minha irmã e economizamos ainda mais. Em um outro momento eu conto pra vocês. Por hora, quero que vocês revejam essa questão de que viajar é caro. Depende do que você está procurando. Se é só um lugar confortável pra dormir, não precisa ser um resort. Se quer economizar, locomover-se como um local vai ajudar muito. Eu consegui economizar ao andar de ônibus, fazer refeições mais baratas, e os passeios eu fiz por conta própria, dando prioridade aos mais simples. Se você chegar ao hotel antes do horário de Chec-in, peça pra guardarem a sua bagagem e vá passear. Se você quiser passear, mas quando voltar a diária já terá terminando, não pague uma diária extra, é só deixar sua mala já pronta com a recepção. Consulte os hotéis sobre a possibilidade de fazer isso. Monte sua viagem com calma, aos poucos, planeje-se. E mesmo planejando, algumas coisas podem sair diferente do que você queria. Não desanime. Acontece com frequência, você viu aí em cima: não juntei dinheiro como queria e quase perdi o avião, fui ao Cristo num dia nublado, não aproveitei a praia por conta do frio, nem a noite carioca por conta da doença. O bom é pegar o que você tem em mãos e aproveitar como possível.
Espero que tenham gostado.
Beijos
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